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A prática de exercícios físicos é um excelente aliado para prevenir a hipertensão

A hipertensão, definida como pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e diastólica maior ou igual a 90mmHg é uma condição clínica presente em grande parte dos adultos. Caracteriza-se por ser multifatorial e associar-se frequentemente a alterações de função  e/ou estrutura de órgãos como coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos e a alterações metabólicas, com aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não-fatais.

A HAS (hipertensão arterial sistêmica) tem alta prevalência e baixas taxas de controle e é considerado um dos principais fatores de risco modificáveis e um dos mais importantes problemas de saúde pública. A mortalidade por doença cardiovascular (DCV) aumenta progressivamente com a elevação da PA (pressão arterial) a partir de 115/75 mmHg de forma linear, contínua e independente.  

Mortalidade e pressão arterial

Em 2001, cerca de 7,6 milhões de mortes no mundo foram atribuídas à elevação da PA (54% por acidente vascular encefálico – AVE e 47% por doença isquêmica do coração – DIC), sendo a maioria em países de baixo e médio desenvolvimento econômico e mais da metade em indivíduos com mais de 60 anos. No Brasil, as DCV têm sido a principal causa de morte.

Em 2007 ocorreram 308.466 mortes por doenças do aparelho circulatório. As DCV são ainda responsáveis por alta frequência de internações, ocasionando custos médicos e socioeconômicos elevados. Como exemplo, em 2007 foram registradas 1.157.509 internações por DCV no SUS.

Custos da pressão arterial

Em relação aos custos, em novembro de 2009, houve 91.970 internações por DCV, resultando em um custo de R$165.461.644,33. A doença renal terminal, outra condição frequente na HAS, ocasionou a inclusão de 94.282 indivíduos em programa de diálise no SUS, registrando-se 9.486 óbitos em 2007.

Entre os fatores de risco para hipertensão arterial estão: idade (prevalência de HAS superior a 60% na faixa etária acima de 65 anos), gênero e etnia (a prevalência global de HAS entre homens e mulheres é semelhante, embora seja mais elevada nos homens até os 50 anos, invertendo-se a partir da 5a década.

Em relação à cor, a HAS é duas vezes mais prevalente em indivíduos de cor não-branca), excesso de peso e obesidade (o excesso de peso se associa com maior prevalência de HAS desde idades jovens. Na vida adulta, mesmo entre indivíduos fisicamente ativos, um aumento de 2,4 kg/m2 no índice de massa corporal (IMC) acarreta maior risco de desenvolver hipertensão.

Obesidade e pressão arterial

A obesidade central também se associa com PA – pressão arterial), ingestão de sal (Ingestão excessiva de sódio tem sido correlacionada com elevação da PA. A população brasileira apresenta um padrão alimentar rico em sal, açúcar e gorduras. Em contrapartida, em populações com dieta pobre em sal, como os índios brasileiros Yanomami, não foram encontrados casos de HAS), ingestão de água (a ingestão de álcool por períodos prolongados de tempo pode aumentar a PA e a mortalidade cardiovascular em geral), sedentarismo (atividade física reduz a incidência de HAS, mesmo em indivíduos pré-hipertensos, bem como a mortalidade e o risco de DCV), entre outros.

No que diz respeito ao envelhecimento, os riscos de desenvolvimento de DCV em geral, particularmente a hipertensão arterial, tendem a aumentar progressivamente . Dentre as razões que contribuem para isso, podem ser citadas alterações vasculares, cardíacas e do sistema nervoso autônomo. A incidência de doença cardiovascular em hipertensos idosos é três vezes maios que em indivíduos com menos idade, principalmente em relação à pressão arterial sistêmica.  Deve-se notar, ainda, que no idoso a hipertensão arterial frequentemente ocorre em conjunto com outros fatores de risco, como dislipidemia, diabetes mellitus, e doença aterosclerótica.

Tratamento da hipertensão arterial

O tratamento da hipertensão arterial no idoso é particularmente desafiador devido às complexas alterações fisiológicas associadas à idade, aos ajustes cardiovasculares e ao metabolismo dos medicamentos, além do impacto da qualidade de vida dos indivíduos.  A terapia medicamentosa é, na maioria das vezes, obrigatória. Porém, outras estratégias são capazes de potencializar a eficácia desse tratamento, devendo ser consideradas em todas as idades.

Dentre elas, podem ser citadas algumas modificações no estilo de vida, como hábitos alimentares e volume de atividades físicas. No que diz respeito à atividade física, estudos vêm identificando significativa associação inversa entre sua prática regular e a incidência ou risco de desenvolvimento da hipertensão. Em indivíduos sedentários, o risco de desenvolver a hipertensão aumenta cerca de 60 a 70% em relação aos indivíduos ativos. Dessa forma, a recomendação de exercício como estratégia terapêutica para indivíduos hipertensos de qualquer idade se faz relevante.

Prescrição de exercícios físicos para idosos hipertensos

Apesar da proeminência das atividades aeróbias, como caminhada, jogging, corrida e ciclismo, o treinamento de aptidão cardiorrespiratória não é o único indicado para indivíduos hipertensos. Outras qualidades físicas possuem importância, contribuindo para a melhoria da capacidade funcional. Dentre elas, destacam-se a força muscular e a manutenção da amplitude de movimentos compatível com as necessidades cotidianas. De acordo com o American College of Sports Medicine (ACSM), existem algumas características para a prescrição de exercícios para hipertensos:

  • modo de treinamento –  contínuo ou intervalado;
  • tipo de atividade – envolvendo grandes grupamentos musculares, exercícios aeróbios complementados por exercícios de desenvolvimento da força muscular;
  •  frequência – 3 a 7 dias por semana;
  • duração – 30 a 60 minutos;
  • intensidade – 50 a 85% VO2 máx.;
  • dose-resposta sobre PA – 40 a 70% VO2 máx.

Benefícios dos exercícios para a pressão arterial

Um estudo realizado com idosas hipertensas verificou intensidades de treinamento resistido e sua relação com a pressão arterial. Foram aplicados exercícios resistidos moderados e leves. Foram realizadas 8 semanas de treinamento resistido, com frequência de três vezes na semana, em dias alternados. Tanto o treinamento resistido moderado quanto o leve, mesmo iniciados na terceira idade, promoveram benefícios cardiovasculares.

Personal trainer para idosos

A partir de todos esses dados, é imprescindível pensar em como você irá atender um indivíduo idoso que chegará à academia ou contratará o serviço de personal trainer. Ter o conhecimento desse público e se planejar para executar um atendimento personalizado e focado nas suas necessidades será um fator diferencial e de sucesso nos resultados com seus clientes.

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Fontes:

  • Livro – Envelhecimento: promoção da saúde e envelhecimento. Paulo de Tarso Veras Farinatti. Vol.2. Ed. Manole.
  • Diretrizes Brasileiras de Hipertensão VI – 2010.
  • Artigo – INTENSIDADES DE TREINAMENTO RESISTIDO E PRESSÃO ARTERIAL DE IDOSAS HIPERTENSAS – UM ESTUDO PILOTO. 2012

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