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FAQs – Frequently Asked Questions – Com Mariana Schamas

“Não há quem não tenha sentido dor alguma vez na vida.

Se você não sente dor, certamente conhece alguém que a sente”

Qual a sua especialidade?

Cinesiologista (ciência que estuda os movimentos do corpo humano), formada pela California State University, Hayward, Hidroterapêuta e Massoterapeuta pela Educating Hands e pós-graduada em Dor pelo Hospital Sírio Libanês.

O que é a dor crônica?

A dor é um alerta, serve para nos avisar de que algo não está bem. Quando a dor deixa de ser apenas um alerta e persiste, isso não é normal.  A dor deixa de ser um sintoma e vira uma doença por si só.

A dor crônica é a que persiste por mais de três meses e a aguda é aquela pontual e de curta duração, que serve de alerta. A dor é uma sensação desagradável, física e emocional que pode estar associada a uma lesão real ou não. (IASP- International Association for the Study of pain)

Quais são os principais tipos de dor crônica? Além de dores de cabeça, há, ainda, dores ocupacionais e de postura, dores que resultam de cirurgias e acidentes, dor de esforço inadequado em exercícios, dores resultantes de reumatismos, LER, fibromialgias, há outras comuns?

Não acredito que exista um principal tipo de dor e sim a dor que incomoda tanto, que descaracteriza o indivíduo que a sente.  Ela pode ser uma dor de dente, uma dor do câncer,  uma dor de cabeça ou uma dor nas costas.  A dor que é incapacitante e resulta em grandes perdas é coisa séria.  Todos os tipos de dor é o que devemos prevenir e cuidar, melhorar, gerenciar e aliviar.  Existem evidências de que a dor na coluna é a que prevalece nas pesquisas e na procura por ajuda nos hospitais e clínicas. A famosa lombalgia é que aparece sempre no topo das pesquisas.

Existem vários tipos de dor.  Estudamos a fisiopatologia da dor, como ela funciona e atua no organismo, como ela age no Sistema Nervoso Central (SNC) e nas periferias, como a dor interfere quimicamente e como a musculatura se comporta com a dor.  Para estudar, entender, estruturar e tratar as várias dores, dividimos em tipos de dor.

Dor no câncer, Dor do idoso, Dor na Criança, Dor no homem e na Mulher, Dor Orofacial, Dor visceral, Dor musculoesquelética, Dor neuropática, Dor nas articulações, Dor Central, Dor inflamatória, Dor na veterinária, Dor no paciente psiquiátrico, Dor no atleta, Dor urogenital, Dor pós-operatória entre outras.

A cefaleia, ou dor de cabeça, pode ser de origem neurológica, musculoesquelética, inflamatória, articular, hormonal, pós-operatória, dentre outras.  Uso esse exemplo para demonstrar como a dor pode ser complexa e exige conhecimento e investigação para poder tratar adequadamente, de maneira multiprofissional, para que seja gerenciada e possa trazer alívio para quem a sente.

De modo geral, que tipos de tratamentos podem ser aplicados para casos de dor crônica?

Existem inúmeros tipos de tratamentos, desde os mais simples, como tomar analgésicos de horário, por tempo determinado, mesmo que a dor tenha diminuído, até tratamentos cirúrgicos do sistema nervoso central. Os tratamentos para dor crônica são multidisciplinares, envolvendo várias especialidades da área da saúde: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, educadores físicos, nutricionista, dentista, entre outros.

São tratamentos medicamentosos, não medicamentosos, atividade física, cuidados psicológicos e mudanças de hábitos de vida diária. Podemos também usar de práticas integrativas e complementares (PIC), como acupuntura, reikie, meditação, entre outras. A educação em dor, ou seja, explicar ativamente ao paciente, como que a dor funciona e o que efetivamente pode ajuda-lo a melhorar, é fundamental.  O apoio de familiares e profissionais também é importante.  Quem sofre de dor crônica, precisa acreditar no tratamento e aderir a ele para ter sucesso.

Existem medicamentos certos para diferentes tipos de dor e a automedicação é um veneno para quem tem dor crônica, além de não ajudar, pode mascarar na hora do diagnóstico, ou diminuir a eficácia da medicação adequada.

Medicação correta, reabilitação, atividade física, distração, acompanhamento psicológico, boa alimentação e bom sono são fundamentais no tratamento de qualquer tipo de dor. A Atividade física, bem feita, pode ser um excelente aliado para a melhora da dor. Estar em movimento é excelente para melhorar a dor.

Há uma incidência maior de um tipo de dor crônica no Brasil, por quê?

Estima-se que, no Brasil, cerca de 60 milhões de pessoas sofram com problemas de dor crônica, ou seja, aquele mal que persiste ou recorre por mais de três meses. Destes, 50% apresentam algum tipo de comprometimento em suas atividades rotineiras, segundo a SBED (Sociedade Brasileira Pare o Estudo da Dor).

Em algumas capitais brasileiras, pesquisas indicam que o percentual de pacientes com dor crônica é mais alto que o índice mundial. Em São Luís, a capital maranhense, por exemplo, ele chega a 47%, e em Salvador, na Bahia, a 41%. Entre as dores crônicas mais comuns que afetam a população estão as musculoesqueléticas (fibromialgia, artrose, hérnia de disco, lesões por esforço repetitivo − LER −, tendinite, bursite e a dor lombar); as neuropáticas (associadas com doenças como diabetes, lúpus, esclerose múltipla, artrite reumatoide ou ao acidente vascular cerebral − AVC); e, finalmente, as cefaleias (enxaquecas)

Estatísticas gerais sobre Dor

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 30% da população mundial sofre com dores crônicas − dores que persistem por mais de três meses. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), cerca de 60 milhões de pessoas convivem com esse problema. Do total, 50% têm a vida e as atividades cotidianas afetadas.

Os números são impressionantes: estima-se que mundialmente 1,5 bilhão de pessoas sofram diariamente com dor crônica. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que 30% da população do planeta padeça deste mal. Os EUA contabilizam um prejuízo anual de 550 milhões de dias de trabalhos perdidos em decorrência da dor. As autoridades de saúde do país já consideram essa década, a década da dor.

No Brasil, o cenário não é diferente. Em algumas capitais brasileiras, pesquisas indicam que o percentual de pacientes com dor crônica é mais alto que o índice mundial. Em São Luís, a capital maranhense, por exemplo, ele chega a 47%, e em Salvador, na Bahia, a 41%. Entre as dores crônicas mais comuns que afetam a população estão as musculoesqueléticas (fibromialgia, artrose, hérnia de disco, lesões por esforço repetitivo − LER −, tendinite, bursite e a dor lombar); as neuropáticas (associadas com doenças como diabetes, lúpus, esclerose múltipla, artrite reumatóide ou ao acidente vascular cerebral − AVC); e, finalmente, as cefaléias (enxaquecas).

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 85% da população mundial sofre de dores na coluna. O que muita gente não sabe é que o principal motivo que causa esta vilã, conhecida como dor nas costas, é a má postura.

Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que a dor de cabeça é um dos problemas de saúde mais comuns em todo o mundo, mas o tratamento tem sido negligenciado. Especialistas estimam que até 75% dos adultos de 18 a 65 anos sofreram com dores de cabeça em 2010.

De acordo com o estudo, poucos casos são diagnosticados por um profissional. Desses, cerca de 40% estão associados à enxaqueca e tensões e 10% ocorrem por uso excessivo de remédios. O estudo mostra que metade das pessoas com dor de cabeça buscou a automedicação e apenas 10% procuraram um neurologista, percentual ainda menor na África e no Sudeste Asiático.

Por isso é necessário estudar e entender os mecanismos da dor.

Como identificar que o problema é de fato uma dor crônica e procurar ajuda? Há um período de tempo, intensidade, algo que dê o alerta para quem sofre com algum tipo de dor?

A dor é definida como uma sensação física e emocional desagradável, que pode decorrer de uma lesão real ou potencial. IASP (Internacional Association for The Study of Pain). Como disse anteriormente, a dor crônica é aquela que deixa de ser um alerta e se instala, ela fica e persiste.  É definida como a dor que persiste por mais de três (3) meses. Portanto se alguém tem uma sensação desagradável por mais de três meses, pode ser que essa sensação se cronificou.

Se sentir dor, observe, avalie e tente entender o que aconteceu, se for muito forte ou incompreensível, procure orientação médica e tratamento adequado. Se ela persistir, mesmo que menos que os três meses, insista em buscar orientação para evitar a cronificação.  Busque entender o que acontece para que possa tratar de maneira adequada.  O relato do paciente é fundamental para a avaliação do profissional da saúde.

O problema pode atingir crianças, de que forma?

A dor no recém-nascido, na criança e no adolescente é comum, infelizmente.  Os bebes que nascem prematuros sofrem muitas intervenções médicas para garantir sua sobrevivência e tudo isso é sentido por eles.  As crianças que nascem com deficiências, problemas de imunidade, de coração ou adquirem doenças graves são pessoinhas que sofrem muitos tipos de dor e existem especialistas em dor da criança em várias áreas da saúde e podem sim ajudar muito.

Sei que são muitas as causas para as dores crônicas, mas existe alguma forma de prevenir? Vida saudável, alimentação, exercícios, etc.?

Qualquer doença, tem sua manifestação devido a algum desequilíbrio, este pode ser físico, químico, biológico e psicológico.  Pode ser um mais que o outro, mas sempre tem uma pitada de cada um.  Na prevenção de qualquer um desses desequilíbrios é procurar ajuda médica, buscar informações, manter uma alimentação saudável, boa hidratação, qualidade de sono, praticar atividade física e saber gerenciar os estresses da vida moderna.  Ter boas estratégias de enfrentamento e uma rede de apoio entre família, amigos e profissionais.  É importante ressaltar que ser saudável, não é sinônimo de ausência de doença e sim ter qualidade de vida, dentro do que é possível.

Como você sabe que tipo de exercício é bom para cada tipo de dor?

Adorei essa pergunta!  A resposta é longa e podemos discutir por décadas!!! Vamos lá!  Na literatura e com base em neurociência sabemos que o movimento é indispensável para a qualidade de vida e saúde do indivíduo.  Quando se trata de dor a recomendação é de atividade aeróbia leve e regular iniciando bem leve e curta, prolongando de acordo com a tolerância da pessoa com dor.  A atividade deve sempre devolver algum ganho de funcionalidade.  O objetivo da prática é controlar os sintomas e reestabelecer a funcionalidade.

A minha visão é com base na minha especialidade, assim como o fisioterapeuta e o educador físico tem suas intenções e condutas específicas.  Eu vejo que o cliente tem sempre a ganhar quando se consegue unir as ciências do movimento. Com base na cinesiologia, a ciência que estuda os movimentos do corpo humano, procuro cuidar e ser uma boa ouvinte, manter uma moa relação com os médicos, fisioterapeutas, educadores físicos e outros profissionais da saúde .

A Cinesiologia é definida como uma área de conhecimento multidisciplinar que estuda a estrutura, os mecanismos e as funções do organismo humano relacionadas ao movimento, assim como os processos e mudanças que o mesmo manifesta ao longo da vida.  Sendo a Cinesiologia o estudo disciplinar dos indivíduos quando participam de atividade física, a visão cinesiológica é focada na qualidade do movimento do corpo humano, de maneira adequada para quem tem dor, estudando as possibilidades de movimentação como uma ciência para os clientes.

Baseado na evidência de que a inatividade física tem sido reconhecida como o quarto fator de risco para a mortalidade global, causando uma estimativa de 3,2 milhões de mortes no mundo (WHO – physical activity), estimular a prática de atividades físicas para quem sofre com diferentes tipos de dor e fundamental.

Conhecer os mecanismos da dor e como ela funciona no organismo é imprescindível para aplicar técnicas do movimento. A atividade física trabalha como forma de melhorar a postura, a respiração, a força e a flexibilidade, trazendo como benefício a redução da dor. Precisamos ter conhecimento e iniciativa para  conscientizar a população da importância de buscar, o quanto antes, ajuda profissional.

Muitas pessoas acabam se conformando e, durante anos, convivem com dores crônicas, fazendo uso da automedicação para aliviar o sofrimento, em busca de uma solução imediata e desesperada. Dessa forma, problemas como dores nas costas e articulações, enxaquecas e fibromialgia, que poderiam ser tratados com avaliação e acompanhamento médico, exercícios físicos para reabilitação, prevenção e medicação correta, acabam prejudicando a qualidade de vida de quem as sentem. Indiscutivelmente, haverá reflexo na qualidade de vida de todos aqueles que com elas convivem.

Vamos estudar a dor e seus mecanismos, assim podemos ajudar as pessoas a ganharem funcionalidade, qualidade de vida e bem estar.

Sentir dor não é normal!!!!

Referências:

http://www.sbed.org.br/home.php

https://www.iasp-pain.org

http://www.who.int/eportuguese/countries/bra/pt/

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